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O Portal Grandamambo entrevistou “Luther Basquiat”, rapper e produtor musical emergente, pertencente a uma nova geração de artistas angolanos que estão a vir com tudo para conquistarem o seu espaço e reconhecimento no mercado, confira as respostas.

1. Quem é Luther Basquiat?

R: “Luther Basquiat” não existe, existe o BVSKIAT (lê-se: Basskiat). Espero que daqui para frente não confundam com o “Luther Giovanni” ou “Luther”, é corrente a confusão por termos aparência física semelhante, resumindo, somos pessoas diferentes. Contudo, sou um artista musical angolano, rapper, cantor, beatmaker e produtor, apreciador de música, mais especificamente Rap e RnB.

2. Para quem não conhece o Luther podes citar algumas das tuas principais músicas e produções de referência?

R: Do que sei pelas constantes confusões que há entre eu e o Luther, ele não canta. As minhas produções mais populares acredito que são:

– “Devia Ter Vendido” (Mixtape) de Crazy Boy
– M.D.T (música) de Crazy Boy, etc.

Quanto a produções será frequente o nome do Crazy Boy, porque no princípio da minha carreira como beatmaker, foi dos poucos artistas com paciência para ajudar no meu crescimento artístico, tanto que acabou por me incorporar ao seu coletivo SoBlack Gang (2013/2014, salvo o erros), então as associações das minhas produções ao nome dele são constantes. E realço desde já que qualquer semelhança no estilo de canto ou dropping não é mera coincidência, fui bom aluno kkk. Dou maior parte do mérito do meu desenvolvimento artístico a ele.

Quanto a músicas mais populares, enquanto fiz parte do grupo Real Team tive algumas (no princípio, como qualquer outro artista não comecei sozinho, a minha carreira à solo é o passo atual a ser explorado) como:

– “Holofote” com os manos Gill Fernandes (Real Team) e Li Hamid (Eleven Paris)
– “Volta Só” com Gill Fernandes e Axel YKZS (ambos Real Team).
– “Perfeita” (uma das minhas poucas músicas à solo).

3. Como e porquê te tornaste um Artista?

R: Acredito que a sociedade em sí é uma peça de teatro, somos todos artistas, música é umas das poucas formas de expressar o que consumo e vivo, confortavelmente. Além disso, foram muitas influências, desde Tios à Vizinhos que ouviam muita música alta (Rap), e o principal de todos os ingredientes, MTV Base. E recentemente encontrei fotos minhas da infância que tinha muitos brinquedos de instrumentos musicais e até bolos de aniversários em formas de instrumentos musicais, enfim, não tive outra escolha, deixe-me levar.

Quanto a arte do beatmaking comecei em 2011 com Reinaldo Silva (Dj da SBDJ), deu-me umas aulas no Fl Studio por eu demonstrar interesse, props a ele, meu mentor. Depois juntei-me ao Iceberg e o Sergio Beatz e formamos a M.O.B (Make Out Beats), nessa altura o trap entrou na veia à sério, bebemos muito da 808 Mafia e Lex Luger. Fiz também parte da Ango Fresh Music do Allen ABM, aqui comecei a carreira de cantor/rapper. Só depois fui parar a SoBlack Gang, enfim, tive muitas escolas e acho que este é o momento em que preciso demostrar o que aprendi com todos eles, espero não estar a dececionar.

4. Pertences a alguma produtora musical / Label / Grupo? Qual?

R: Pertenço a uma produtora, criei o meu próprio selo musical, SOFIA RECORDS, fundado aos 7 de janeiro de 2020, e como co-fundador temos o Ney Pascoal, também artista da mesma. Não há muito para dizer sobre, e sim muito por fazer.

5. Fale-nos do processo de criação dos teus beats e o que não falta nos teus instrumentais?

R: Começo pela melodia na minha mente, possivelmente uns fragmentos da letra, o tema da música com certeza, maior parte dos beats que faço são com uma ideia já feita do que cantar, principalmente o coro. Sempre pensei como produtor, não simplesmente beatmaker.

O que não falta são pads, por influência do Drill de Chicago, U.S, mais especificamente do produtor Young Chop, fiquei obcecado por pads, eles normalmente são as melodias que preenchem o fundo (o vazio) dos beats, e nos meus beats, é notório a presença deles.

6. Como você vê o mercado angolano em termos de venda de Beats?

R: Não sei muito sobre isso, e do que sei, acredito ser um mercado informal, com isso podem haver grandes vantagens e desvantagens para consumidores/produtores, dependo muito da posição em que se encontra cada artista. Uma das grandes desvantagens que independe da posição do artista no mercado (fama ou etc), a que mais afeta todos e mais polémica, é a questão dos royalties, a classe artística em angola, por não ter um órgão que os defende e regulariza de forma competente o que poderíamos chamar de benefícios do trabalho artístico dos mesmos faz com que cada um dite as suas próprias regras e sobreviva com o que pode e tem.

7. Já consegues vender Beats? Caso sim, há quanto tempo? E qual é o conselho que deixas para quem quer, mas ainda não consegue vender Beats?

R: Sim, vendo um ou outro, não de forma constante porque desde que me desvinculei dos grupos a que pertencia, passei a prestar mais atenção em mim e já não vendo tantos beats para outras pessoas, por escolha própria. Mas clientes há.

8. Qual é o segredo ou caminho a seguir para ter os trabalhos nas plataformas de streaming? E outra, consegues ganhar alguma coisa a partir dessas plataformas?

R: Nem é segredo. Quem tem condições financeiras e materiais consegue claramente disponibilizar de forma independente as suas obras nas mesmas, quem não tem, pode vincular-se a uma distribuidora musical. Tem havido um grande crescimento nesta área do music business.

Desde já, aproveito para anunciar que todas a músicas lançadas daqui em diante estarão disponíveis em todas as plataformas digitais, as músicas da SOFIA RECORDS serão distribuídas pela “No Name Distribuidora”, uma divisão da No Name Label, holla para os tropas, têm feito um bom trabalho nesse sentido e aproveito para dizer que quem estiver interessado em fazer o mesmo que eu, eles têm bons pacotes de distribuição. Para entrarem em contacto com eles é só pesquisarem pelo nome nas mais variadas redes sociais.

9. Que conselho deixas para aqueles que querem ser excelentes Beatmakers, ou para aqueles que querem começar agora no mundo dos beats?

R: Aprendam sobre teoria musical (é a mais importante, tudo tem regras, até para desrespeitar uma regra precisas conhecê-la), assistam muitas vídeo aulas, assistam entrevistas dos beatmakers e producers, eles deixam bons tips sobre produção e o negócio da música, façam beats dos géneros musicais que mais apreciam, mas também aprendam aquelas que são mais populares no mercado musical da vossa região (se quiserem ter sucesso comercial) e façam constantes pesquisas.

10. Qual é o teu auge de carreira?

R: Deixar algo ao mundo para ser lembrado, algo que possa contribuir na vida das pessoas e trazer prazer as mesmas, visto que estamos todos de passagem.

11. Estudas? Trabalhas? Como é que consegues conciliar a carreira musical com as demais actividades?

R: Sou o Super-Homem, e quando não estou a salvar o mundo, sou o Clark Kent. Há sempre espaço para aquilo que nos faz bem e amamos. Todo o resto funciona a volta disso.

12. Fazendo uma breve análise, como achas que o hip hop em Angola se encontra?

R: Acredito que se encontra como em todos os outros sítios, comparando com as outras ainda é uma cultura muito jovem, estou a gostar de fazer parte do desenvolvimento da mesma. Em suma, ainda há muito sumo para espremer dela.

13. Se as condições do mercado melhorarem, as condições dos artistas também irão, o que você acha que falta para desenvolver cada vez mais o nosso mercado musical?

R: Falta reforçar o controle do uso de propriedade intelectual, porque leis de proteção até existem, mas vejamos, artistas da nova vaga que estão desinformados sobre como se podem proteger de terem as suas obras utilizadas sem a devida autorização não sabem onde conseguir estas informações, que procedimentos seguir, onde se queixar. E não só, a pirataria ainda é um negócio lucrativo para quem o pratica, criando assim desvantagens e grandes perdas financeiras para o artista.

Acredito que falta educar (os ouvintes e criadores) sobre a valorização das suas criações e os devidos meios de consumo. Ao falar de educação refiro-me a workshops e entre outros, fornecidos pelas demais instituições responsáveis pela área em questão. Considerando o mercado como um ecossistema, acho que devagar e com os passos certos acabará por influenciar todo ele a funcionar da maneira correta, mas até lá, se vai perder muito.

14. O que que podemos esperar do BVSKIAT ainda este ano de 2020?

R: Este ano não prometo nada, mas o próximo talvez será lit!

Acesse o link abaixo para saber mais sobre o trablho do BVSKIAT e a Sofia Records.

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Grandamambo Editorial

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