Segunda-feira, Dezembro 5, 2022

Entrevista com Andrizzy

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1. Quem é Andrizzy?

Andrizzy: Sou um jovem artista de 23 anos de idade apaixonado por música desde o seu primeiro momento de idealização até à apresentação como um produto final e, por meio deste processo, busco pintar a minha visão sobre o mundo. Tenho um carácter incomum e dentro de mim há um mosaico de sentimentos, por isso, é possível notar distintos temas nos sons que já lancei até agora.

2. Como e porquê te tornaste Rapper / Artista?

A: Na verdade, a minha jornada como um artista começou muito cedo. Já desde puto, como membro de um coral na igreja, tive inclinação para a música. Lembro-me que, aos 10 ou 11 anos de idade, já pensava em fazer kuduro com um brada de infância, mas desisti da ideia quando ouvi que os kotas do estúdio davam bofas a quem se atrapalhasse no mic.

Entretanto, quanto a questão de entrar no game, tudo começou quando mudo de escola e na nova escola conheço o Hector Krizzy (já falecido), que me apresentou ao Brauly-O (também já falecido) e sugeriu que ele me deixasse fazer parte do coletivo SMFLIFESTYLE. Foi neste colectivo onde a magia começou a acontecer, conheci pessoas que me inspiram até hoje. Em 2013, gravei pela primeira vez, no furinho de um desses headphones usados em call center, um “Skill” onde todos os membros do colectivo naquela altura participaram e a música “Olha Pro Q Faço”. Duas faixas que ficaram arquivadas para lembranças.

3. Quais são as tuas fontes de inspiração?

A: Para ser sincero, são muitas as fontes que me inspiram a entrar num estúdio, fazer um Beat, escrever umas barras, colocar-me frente ao microfone e começar uma conexão profunda com o universo. Porém, tudo se resume a vida. A vida em si me inspira, principalmente, todos os elementos que fazem parte da minha e isto incluí: família, amigos, sentimentos, estímulos e por aí a fora. Há também alguns artistas famosos que me inspiram e continuam a inspirar: Leonardo Da Vinci, Givago, Jay-Z, Adele, Yuri da Cunha, Paulo Flores, Travis Scott, Lulas da Paixão, Bob Marley, Tupac, Notorious BIG, Heavy-C, Yola Semedo, Carlos Buriti, Irmãos Almeida, e muitos outros que marcaram e continuam marcando a música nacional e internacional.

4. Acompanhas o Rap Angolano ou Moçambicano? Caso sim. Que artistas é que você nos recomendaria passar a ouvir?

A: Acompanho o Rap angolano, mas não tanto quanto antes. Cheguei a ouvir grandes hits que marcaram a ascensão de Army Scuad, Kalibrados, Abidiel e seu elenco de luxo, NGA e a sua Força Suprema, Délcio Dollar e muitos outros que haviam na altura. Ouvia TRX, mas parei quando descobri a falta de originalidade que havia nas obras do conjunto. Quanto ao moçambicano, lembro de uma fase em que ouvia muito o Hernâni da Silva. Actualmente, tenho acompanhado menos porque há muita escassez de conteúdos marcantes. Nem as rodas de freestyles e rompimento tem a mesma energia de antes, mas grupos como Mobbers e SEKETXÉ, cantores como Deezy, Dji Tafinha, Phedilson, Sidjey e mais uns poucos tem mostrado resultados que de certeza hão de gerar grandes mudanças nesta questão é são estes que recomendo.

5. Há um velho ditado que diz que “devemos aprender com os erros dos outros” Quais foram os principais erros que cometeste no princípio?

A: Como artista, já cometi muitos erros. Portanto, vou passar alguns conselhos e vocês tirem conclusões próprias: 1. Invistam na promoção dos vossos trabalhos; 2. É importante não reprimir a vossa própria arte; 3. Partilhem experiências com outros artistas e sejam mais colaborativos, de preferência com aqueles que tenham qualidades que se busca melhorar. 4. Se realmente amam o que fazem, pesquisem sobre isso e pratiquem muito, pois, estes são aspectos que nos levam a evolução e inovação. 5. Não tentem pular etapas, curtam a jornada e amem cada momento que ela proporciona.

6. Os produtores musicais são extremamente importantes para se obter uma trabalho com qualidade, quais são os Produtores nacionais e internacionais que mais admiras?

A: Em Angola, eu sempre admirei mais os membros do meu colectivo. Creio que isso se deva ao facto de eles me ensinarem a cantar sempre em beats originais, tanto que foram eles que me inspiraram a começar como beat maker e produtor. No entanto, também admiro e respeito os trabalhos de: Heavy-C, Malariah, Teo no beat, Dji Tafinha, Gaia Beat. Além fronteiras, admiro os trabalho de: Metro Boomin, SoundWave*, Hit Boy, Slow J, Taih Keith e 808 Melo.

7. Fazes parte de uma Label? Caso sim, fale um pouco sobre ela caso não, gostarias de fazer parte de uma?

A: Sou membro do colectivo SMFLIFESTYLE desde os meus primeiros passos no game até agora. Praticamente, todo o desenvolvimento artístico que tive devo maioritariamente a estes 10 manos (Incluindo os dois que se foram). Aprendi muito com eles nessa jornada. Eles ajudaram muito na criação do Andrizzy que tenho apresentado ao mundo. Amo muito eles.

8. Fazendo uma análise breve, como é que achas que o movimento hip hop em Angola se encontra?

A: Há algo que tenho notado no movimento Hip-hop em Angola e me encanta. É o facto de haver mais pessoas engajadas em fazer parte do desenvolvimento desta arte que marcou de forma exponencial a nossa história, como pretos que somos. Porém, tal como disse em resposta a pergunta número 4, me choca o facto de que a maioria continua a fazer “trash” e não visam a desenvolver nada neles mesmos. Eles tentam representar o país com cenas que não representam nada. E isso é vergonhoso para pessoas como eu, que passam horas e horas no estúdio a fim de tirar que realmente! Admiro muito aqueles que, nessas altura, tema.

Tendem a remar contra a maré e trazem algo diferente, mas o facto é que a maioria já não manda cenas que me fazem pensar “Real Shit”.

9. O que que achas que está a faltar dentro do movimento hip hop nacional?

A: Tal como expressei acima, falta seriedade e verdade nas palavras desses manos, mas é óbvio que existem excepções.

10. Como é o Andrizzy quando não está a fazer música?

A: É difícil dizer como sou quando não estou a fazer música, porque essa cena é tão viciante que se tornou mais difícil não fazer música. Mas quando me afasto um pouco das actividades artísticas, gosto de ser amoroso, engraçado e preocupado com as pessoas mais próximas, sendo que sou já pessoa que não dispensa um assunto de elevado interesse. Por outro lado, fico muito tempo a reflectir sobre a vida, o mundo, o universo e as minhas crenças. Muito tempo mesmo. É uma espécie de Hobbie pra mim.

11. O que que podemos esperar do Andrizzy ainda em 2021?

A: Tal como anunciei no lançamento do single TÔ A CAMINH’, esse ano o mundo receberá uma EP do Andrizzy onde pretendo ser muito profundo nas minhas concepções, mas pretendo fazer muito mais do que isso e, quando chegar a hora certa, o pessoal vai notar o “mais” sobre o qual me refiro.

Conheça mais sobre o trabalho de Andrizzy no link abaixo:

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