GrandaMambo Music

Entrevista com D.A.R.E.

Entrevistamos recentemente a D.A.R.E., uma Label Moçambicana composta por jovens destemidos, cheios de energia, vontade de fazer acontecer e consequentemente levar o nome do seu país além-fronteiras, confira as respostas.

1- Antes de mais nada, queremos saber o que é a D.A.R.E., quem são os seus membros e como se formou?

Van-Dope: D.A.R.E. é um grupo e label formado por mim (Van-Dope), Lyro, Wiika, INF8M8US, 3GO, RETROBAS e Kametee 07. Todos nós já cantávamos antes. Eu, INF8M8US e Lyro como um grupo e o Kametee 07, Wiika, RETROBAS e 3GO cantavam a solo, na altura todos já nos conhecíamos e éramos chegados. Uma vez criou-se um pequeno grupo no “WhatsApp” para interação a malta amante do Rap e com o tempo as pessoas foram saindo até que só restaram os actuais membros do grupo e dois amigos chegados, dos quais um também é músico de a.k.a “Ceenarci”. Daí fomos ficando mais próximos e o Ceenarci, que já fazia parte dum grupo de música, deu-nos a ideia de formar o nosso próprio e Kametee 07 deu a ideia do nome D.A.R.E.(Dream Achievement For Rappers Emerging), que foi descutido pelo grupo chegando a conclusão de que o nome identifica essencialmente os nossos objectivos como grupo(família), e assim surgiu a label D.A.R.E.

2- Podem chutar algumas das vossas músicas ou participações de referência?

Van-Dope: Uma das músicas de referência é o LNRFNIA (Last Name Rich, First Name I Ain\t), que foi nossa segunda song desde que começamos, onde cantam todos membros da D.A.R.E. O Kametee 07 já participou numa música com os rappers moçambicanos “King Cizzy” e “Hyuta César” intitulada “OMFG”. De resto é o Projecto RIOT que graças a Deus está a ser bem consumido pelo público. E já agora agradecer a vocês do GrandaMambo por ajudar-nos a levar a nossa arte além fronteiras.

3- Quais são as vossas fontes de inspiração?

Kametee 07: O nosso grupo é muito dinâmico quanto ao gosto musical, mas generalizando aquilo que mais motiva o grupo que é o tipo de música “hype” que faz qualquer um sair do chão, temos como referências: Travis Scott, Scarlxrd, Lil Wayne, Hernâni Da Silva, Brockhampton, Migos, Recayd Mob e muito mais.
Cada um destes artistas influencia da sua forma no nosso processo criativo: o Travis, na forma como as nossas músicas são misturadas; Scar, na energia depositada nas músicas; Lil Wayne & Hernâni Da Silva, nos punchlines; Brockhampton, na versatilidade existente no grupo; Migos, na inovação dos flows.

4- Falem-nos sobre o processo de idealização, composição, produção, promoção e distribuição do Projecto “RIOT”?

Van-Dope: A ideia surgiu num dos nossos convívios, sendo que já tínhamos algumas songs gravadas e decidimos apresentar todas elas e algumas outras em forma dum projecto inteiro. A partir daí fiz uma idealização da natureza que o projecto deveria ter, sendo que, o nome RIOT foi escolhido por causa da energia que pretendíamos trazer com as músicas, uma energia hype, onde Kametee ficou a cargo de garantir que essa energia se mantivesse presente presente em cada song, porque ele é o “pai do Rage”, hehehe.
O processo de gravação não foi 100% linear porque tivemos de interromper devido ao outbreak do Covid-19, e nisso o 3GO passou a transportar o material de gravação de forma segura para casa de cada um de nós para que pudéssemos concluir a gravação das songs.
Tivemos o INF8M8US e o 3GO (o director executivo do projecto) no mix e master das songs, e a produção a cargo do RETROBAS na sua maioria, e também algumas produzidas pelo Wiika, INF8M8US e Lyro.
A promoção do projecto teve uma grande ajuda do nosso agente, Évaro d’Abreu, que nos ajudou a desenhar o plano de lançamento. A distribuição chegou agora na sua melhor fase porque já temos o projecto em todas as plataformas digitais.

5- Vocês já fazem dinheiro com a música? Caso sim, como?

3GO: Nós fazemos dinheiro com a música, mas não da forma que nós desejamos. Por exemplo, para o ano de 2020 nós tínhamos como parte do plano, a realização de shows e parceria com uma marca local de roupas. Mas com o outbreak do Covid-19, sendo que todos os membros do grupo respeitam as regras de prevenção, estes projectos foram adiados por um período indefinido.

6- Fazendo uma análise breve como é que acham que o hip hop em Moçambique se encontra? Altos e baixos?

Wiika: Eu acho que o Rap aqui em Moz chega a cada dia mais próximo do seu auge, principalmente agora, constantemente aparecem novos rappers/artistas versáteis e cada um traz uma wave diferente, e é essa diferença que está a fazer o rap desenvolver. Cada um vem com um trabalho melhor que o outro, a partilha de espaço é evidente o que torna possível a fácil conexão entre os artistas. O público mostra muito interesse pelo que está a ser apresentado pelos artistas e dá suporte, apesar de que o país tem muito a melhorar em questões de exposição de música, no geral. E a D.A.R.E., junto com os outros artistas moçambicanos, dá o seu contributo para o Rap moçambicano.

7- Sabemos que Moçambique faz parte da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), e reparamos que diferente dos demais países da mesma, existe uma grande tendência dos rappers de Moz fazerem músicas na língua inglesa. Podes nos fazer entender o porquê disso? Ou a nossa análise não é verdadeira?

Lyro: De facto, essa análise constitui a verdade. Nós como um colectivo não podemos generalizar a resposta daquilo que são os motivos dos outros artistas moçambicanos, mas sim falar daquilo que a D.A.R.E. pensa. Em primeiro, deixamos claro que o nosso grupo também faz músicas em português. E em segundo, o objectivo final do grupo é comercializar o nosso som numa escala mundial, e a melhor ferramenta para essa conquista é o uso da língua inglesa, visto que, é um dos idiomas mais falados globalmente.

8- Têm interesse no mercado angolano? Caso sim, tem algum artista/grupo específico que gostariam e um dia colaborar?

INF8M8US: De certeza, Angola é um povo irmão, e acreditamos que nada separa a conexão entre irmãos. Quanto a colaborações, de certeza o grupo “Força Suprema” estaria no topo da lista, pois este grupo teve muita influência nos músicos que fazem parte da CPLP. E um artista, o rapper “Don Altifridi” tem muito haver com a nossa vibe e de certeza faria parte da lista.

9- O que os membros da D.A.R.E. consideram como auge de carreira?

RETROBAS: Para nós, o auge da nossa carreira será quando o termo “viver de música” for uma realidade, e quando o grupo tiver o reconhecimento mundial que tanto almeja. Tudo isso, se Deus quiser.

10- O podemos esperar da D.A.R.E. ainda esse ano?

3GO: O nosso grupo ainda tem muito por mostrar, e com o tempo o público perceberá que o nome “D.A.R.E.” significa muito mais do que um grupo de música trap. Existe muita versatilidade dentro do grupo e tudo será apresentado ao público no seu tempo.

Para quem não nos conhece pode encontrar as nossas músicas na nossa página do Soundcloud e para mais informações só ir às nossas páginas no Twitter e Instagram.

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