Quarta-feira, Dezembro 7, 2022

Entrevista com Eddy Venenoso

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1. Quem é Eddy Venenoso? Como surgiu o teu nome artístico?

Sou um artista de Rap, natural de Luanda e fundador do grupo Exército de Rimas. O nome Eddy vem do meu segundo nome “Edvandro” e escreve-se com 2 Ds porque o nome Edvandro tem 2 letras D. Já o Venenoso, decidi adoptá-lo, primeiro por ser um nome artístico atrativo e amedrontador para qualquer possível adversário no contexto do Rap, segundo porque ainda quando criança, eu era muito frontal nas minhas explanações sobre qualquer coisa que fosse, e muitos mais velhos evitavam falar comigo porque diziam que “tinha boca doce” e então me mandavam sempre calar a boca, como se eu estivesse envenenando o ambiente com as minhas palavras.

2. Como, quando e porquê começaste a cantar e te interessaste pela música?

Desde criança, sempre gostei de poemas e comecei a escrever versos com 9/10 anos, sempre gostei muito de música também, mas na altura não pensava em ser cantor. Anos mais tarde comecei a ouvir Rap nas vozes de Eminem, Boss AC, McK e muitos outros. Me apaixonei pelo estilo mas ainda assim não sonhava em ser cantor, certa vez um amigo me colocou a ouvir um CD do Big Show cidade e a forma diferente como eles faziam os versos chamou-me muito a atenção, então decidi experimentar começar a escrever também coisas do gênero só por diversão, aí nascia a ideia de ser rapper. Pouco tempo depois, passei a participar do coro da igreja que frequentava, a convite de um catequista o que me fez ganhar mais interesse pela música, apesar de não encontrar coragem pra me tornar cantor ainda.

A coragem de ser cantor surgiu em 2012, após um convite de um amigo (que nem cantava) para fazer uma música, só por fazer mesmo e pra dizer que também já havia cantado, eu pensei:

Estamos em 2012, daqui a nada o mundo vai acabar (pensava eu), vou aproveitar fazer alguma coisa que sempre quis mas que nunca tive coragem e nunca soube como e nem por onde começar… Se sair mal pelo menos não vou passar vergonha sozinho.

E lá fui eu gravar a minha primeira música.

Comecei porque senti que precisava deixar alguma marca no mundo, me afirmar na sociedade e fazê-los ouvir o que precisavam, não apenas aquilo que eles gostavam, então assumi o compromisso de usar a música para influenciar mudanças na minha geração e nas gerações futuras.

3. Podes citar algumas das tuas principais músicas e participações de referência?

Uma das músicas que mais gostei de gravar tem como título “Eu Acredito” que tem como participação de referência o Filho do Zua.

A minha principal música, que marca início de um novo ciclo na carreira de Eddy Venenoso é o 9 da Manhã, que vem desconstruir a ideia que algumas pessoas tinham com relação a minha musicalidade.

4. Tens algum projecto já lançado ou a caminho? Fale-nos do processo criativo, composição e gravação?

Sim, tenho. O meu primeiro projecto é intitulado “Veneno Desconhecido” foi lançando em 2017, em 2019 lancei com o meu grupo Exército de Rimas um projecto intitulado “Kalibre Militar” que teve como promos as músicas Do Gueto para o Gueto e 1 minuto de fama.

Tenho pra brevemente o lançamento de uma EP intitulada, “MÚSICA, MULHER & PLAYSTATION”.

Foi idealizada no final de 2017, escrita em 2019 e gravada em 2020, ela é um retrato daquilo que foi a minha trajetória e transição de uma visão de mundo para outra, a EP conta com a colaboração de Délcio Demolidor e foi gravada na Gin Plug Studio.

5. Os produtores musicais são extremamente importantes para se obter uma trabalho com qualidade, quais são os Produtores nacionais e internacionais que mais admiras?

Dos produtores que eu mais admiro e gostaria de um dia poder trabalhar com eles são: Boni Diferencial, Ricardo 2R, EMP, Téo no Beat, Adilson Beat e Mad Contrário.

Dr. Dre, Metro Boomin, Dj Caíque, Madkuts, Sam The Kid, DJ Khaled.

6. O que que achas que está a faltar dentro do mercado musical em Angola?

Primeiramente investimento, todo mercado se desenvolve com investimentos adequados nos seus variados sectores, portanto precisamos de mais investimentos em gravadoras, mais produtoras musicais sérias, mais espaços culturais, mais canais de divulgação da cultura musical angolana, e também mais irmandade e compreensão entre os próprios artistas e intervenientes no mercado musical que ao invés de se ajudarem se boicotam e prejudicam o mercado todo com os seus comportamentos negativos.

7. Qual é o teu auge a atingir como artista musical?

Gostaria de algum dia poder viajar para actuar em outro continente, receber um prêmio de reconhecimento internacional pelo meu trabalho com a música. O auge pra mim seria poder ouvir gente na América e na Europa cantar uma música minha ou usar uma T-shirt com o meu nome ou a minha cara.

8. Acompanham o Hip-Hop / R&B feito noutros países da CPLP? Caso sim. Que artistas é que vocês levam como referência / inspiração?

As minhas referências a nível de Hip Hop e R&B CPLP são: Azagaia, Plutónio, Emicida, Rashid, NGA, Nenny, Fábio Brazza e C4 Pedro.

9. Há um velho ditado que diz que “devemos aprender com os erros dos outros” Quais foram os principais erros que foram cometidos no princípio?

1. Achar que o alcance do teu objetivo depende mais dos outros do que de ti. Emicida uma vez disse: “Você é o único representante do seu sonho na face da terra, se você não lutar por ele ninguém vai”.

2. Ficar preso a um ideal e não pensar fora da caixa ou diversificar. Como artista devemos estar abertos a explorar o mundo e expandir os nossos horizontes, principalmente no princípio da carreira.

3. A falta de humildade é um erro que vejo desde o princípio da minha carreira, quer seja por parte de artistas, como de produtores musicais ou de eventos. Devemos saber ser humildes para não sermos desrespeitosos. Há que se saber exatamente o teu posicionamento com relação ao que fazes e saber ter empatia ou saber pelo menos entender quem vai trabalhar contigo sem passar por cima dos interesses dele e ser conotado como egoísta ou cínico.

10. Fazes parte de uma Label? Caso sim, fale um pouco sobre ela caso não, gostarias de fazer parte de uma?

Não faço parte, sou um artista independente. Gostaria de fazer parte de uma label sim, mas não de uma que não veja a música como um negócio sério. E sim de uma que me ajudasse a alcançar o nível mais alto naquilo que faço, caso contrário prefiro seguir sozinho.

11. Estudas? Trabalhas? Como é que consegues conciliar a carreira musical com as demais actividades

Actualmente trabalho e vejo que é possível conciliar a agenda entre os meus compromissos laborais de escritório e os meus compromissos laborais com a música. Sou artista quando me encontro no contexto da arte e divido o tempo para cada coisa específica na minha agenda, isso me ajuda a ter tempo para tudo que considero importante para mim. A música se tornou a minha vida, não levo trabalho para a música, mas levo a música para onde quer que eu vá. O trabalho é uma ferramenta de estabilidade financeira e social e a música é um investimento para suporte emocional e financeiro.

12. Quem é o Eddy quando não está a fazer música?

Quando não estou a fazer música, sou trabalhador, sou irmão mais velho para os meus irmãos, cuido da minha família, organizo alguns aspectos da minha vida pessoal, faço voluntariado (quando posso), sou amante de literatura e mergulho no meu mundo com os meu livros, sou também um amante de cinema que fica diante do PC curtindo filmes antigos.

13. O que que podemos esperar do Eddy Venenoso este ano de 2021?

Para o ano de 2021-2022 podem esperar um Eddy Venenoso mais focado em Hits, tenho muita música preparada, quer seja a solo ou em grupo. O lançamento oficial da minha EP, Música, Mulher & PlayStation está para o final de 2021, neste momento estou em estúdio gravando um novo projecto, que irá trazer ao mercado nacional uma nova tendência e será o produto de consumo obrigatório em 2022.

Muito obrigado pela atenção.

Conheça mais sobre o trabalho de Eddy Venenoso na secção abaixo.

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